quarta-feira, 27 de março de 2013

Quando em teu colo deitei a cabeça (Walt Whitman)



Quando em teu colo deitei a cabeça, meu
[camarada,
a confissão que fiz eu reafirmo,
o que eu te disse e a céu aberto
eu reafirmo: sei bem que sou inquieto
e deixo os outros também assim,
eu sei que minhas palavras são armas
carregadas de perigo e de morte,
pois eu enfrento a paz e a segurança
e as leis mais enraizadas
para as desenraizar,
e por me haverem todos rejeitado
mais resoluto sou
do que jamais poderia chegar a ser
se todos me aceitassem,
eu não respeito e nunca respeitei
experiência, conveniência,
nem maiorias, nem o ridículo,
e a ameaça do que chamam de inferno
para mim nada é, ou muito pouco,
meu camarada querido: eu confesso
que o incitei a ir em frente comigo
e que ainda o incito sem a mínima idéia
de qual venha a ser o nosso destino
ou se vamos sair vitoriosos
ou totalmente sufocados e vencidos.

terça-feira, 26 de março de 2013

Elogio da Dialética (Bertold Brecht)



A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser
[como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora
[dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o
[alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De
[nós
De quem depende que ela acabe? Também de
[nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o
[retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores
[de amanhã!

Nada é impossível mudar (Bertold Brecht)



Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
 pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural

nada deve parecer impossível de mudar.

Intertexto (Bertold Brecht)



Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Baixaria entre PT e DEM na Câmara



É certo que o Congresso Nacional não é nenhum recinto de Lordes Ingleses. Nem deveria sê-lo, pois a casa em questão representa o povo brasileiro. E como tal, representante do povo, deve abrigar todas as parcelas da sociedade, pelo menos é que se espera. E sejamos francos, pessoas com as qualidades de um lorde não são encontradas com facilidade no Brasil. Costumo dizer que os políticos são o espelho da povo. Portanto, se a grande maioria que lá se encontra é formada por fanfarrões e outros tipos mais, não se espantem, a classe política é o retrato fiel dos brasileiros.

Porém, o fato ocorrido nesta quinta-feira, dia 27/02/2013, é algo para se pensar. Baixaria pura, a mais autêntica possível. É sabido por todos que o PT omitiu de suas comemorações o ano de 2005. Por motivos óbvios, é claro. E no painel comemorativo afixado nos corredores da Câmara dos Deputados o ano em questão não se encontrava entre as datas comemorativas. Tudo bem, esperar o que de um partido que gosta de maquiar dados e vive de marketing.

Mas causou estranheza a atitude dos Democratas, partido de centro-direita que quer rivalizar com o PT em situações bizarras e ridículas. Montar um quadro simbolizando o ano de 2005 e destacar figuras proeminentes do PT ligadas ao "Mensalão", não me pareceu a melhor política. Ainda mais se levarmos em consideração que no caso é o roto falando mal do esfarrapado. Da mesma forma que carecemos de um povo bem-educado, também carecemos de políticos muito bem-educados.




domingo, 24 de fevereiro de 2013

El HaTzipor (Chaim Nachman Bialik)



EL HATZIPOR



Shalom rav shuvech, ziporah nechmedet,
Me-artzot ha-chom el chaloni -
El kolech ki arev ma nafshi chalata,
Ba choref be'ozvech me'oni

Zamri, saperi, tzipori hayekara,
Me-eretz merchakim nifla'ot,
Hagam sham ba'aretz ha-chama, hayafa,
Tirbeina ha-ra'ot, hatla'ot?

Ha-tis'i li shalom me'achai betzion,
Me-achai ha-rechkoim ha-krovim?
Hoi me'usharim! Ha-yed'u yado'a,
Ki esbol, hoi esbol mach'ovim?

Ha-yed'u yado'a ma rabu po sotanai,
Ma rabim hoi rabim li kamim?
Zamri, tzipori, nifla'ot me'eretz,
Ha'aviv ba inveh olamim.

Ha'tis'i li shaliom mizimrat ha'aretz,
Me'emek, migai, merosh harim?
Haricham, ha-nicham elo'ah et tzion,
Im oday azuvah likvarim?

Ve'emek hasharon veiv'at halevonah -
Ha'yitnu et moram, et nirdam?
Ha-hekitz mishnato hasav ba'ye'arim,
Ha-levanon ha-yashen, ha-nirdam?

Hayered kifninim hatal al har charmon
Im yered veyipol kidama'ot?
Umah shlom hayarden umeimav habehirim?
Ushlom kol heharim, ha-geva'ot?

Kvar kaloo hadma'ot, kvar kaloo hakitsim,
Velo hekitz haketz al yegoni,
Shalom rav shuvech, tzipori hayekara,
Tzahali na kolech va'roni!


AO PÁSSARO

Bem-vindo ao pássaro e seu retorno doce,
Dos países quentes a minha janela
Como minha alma anseia ouvir a sua voz agradável
no inverno, quando você sair a minha habitação.

Cante, conta, querido pássaro,
De uma terra maravilhosa e distante,
Também são os problemas e grande sofrimento
lá na terra quente e bonita?

Você tem saudações de meus irmãos em Sião,
De meus irmãos distantes, mas ainda perto?
Oh são felizes! Será que eles sabem
Que sofro a dor dos que sofrem?

Será que eles sabem como abundantes minhas memórias estão aqui,
Como pode, e por isso muitos se levantam contra mim?
Canta meu pássaro, as coisas admiráveis de uma terra,
Onde a primavera habita para sempre.

Você tem saudações da música da terra?
Do vales e topos das montanhas?
Que Deus teve piedade e consolou Sião?
Ou ainda é abandonada a sua sepultura?

E do vale de Sharon e do monte da árvore de incenso
Será que eles exalam sua mirra, e seu perfume?
(...)

Faz descer o orvalho como pérolas no Monte Hermon?
Faz descer e cair como lágrimas?
E como está o Jordão e suas águas límpidas?
E como são as montanhas, as colinas?


Minhas lágrimas secaram, toda a esperança fugiu
No entanto, não há fim para minha tristeza,
Saudações por seu retorno, meu pássaro querido,
Levante sua voz e grita...

Marion Vaz

Fonte: http://eretzisraelmv.blogspot.com.br/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A flauta mágica (Texto de Autor Desconhecido)



Era uma vez um caçador que contratou um feiticeiro para ajudá-lo a conseguir alguma coisa que pudesse facilitar seu trabalho nas caçadas. Depois de alguns dias, o feiticeiro entregou-lhe uma flauta mágica que, ao ser tocada, enfeitiçava os animais, fazendo-os dançar.

Entusiasmado com o instrumento, o caçador organizou uma caravana com destino à África, convidando dois outros amigos. Logo no primeiro dia de caçada, o grupo se deparou com um feroz tigre. De imediato, o caçador pôs-se a tocar a flauta e, milagrosamente, o tigre começou a dançar. Foi fuzilado à queima roupa.

Horas depois, um sobressalto. A caravana foi atacada por um leopardo que saltava de uma árvore. Ao som da flauta, contudo, o animal transformou-se: de agressivo, ficou manso e dançou. Os caçadores não hesitaram: mataram-no com vários tiros.

E foi assim até o final do dia, quando o grupo encontrou um leão faminto. A flauta soou, mas o leão não dançou, mas atacou um dos amigos do caçador flautista, devorando-o. Logo depois, devorou o segundo. O tocador de flauta, desesperadamente, fazia soar as notas musicais, mas sem resultado algum. O leão não dançava. E enquanto tocava e tocava, o caçador foi devorado. Dois macacos, em cima de uma árvore próxima, a tudo assistiam. Um deles observou com sabedoria:
- Eu sabia que eles iam se dar mal quando encontrassem um surdinho...

Não confie cegamente nos métodos que sempre deram certo, pois um dia podem não dar. Tenha sempre planos de contingência, prepare alternativas para as situações imprevistas, analise as possibilidades de erro. Esteja atento às mudanças e não espere as dificuldades

Os políticos são o espelho da sociedade.

      O nosso problema não está no fato de o país ser unitário ou federado, de ele ser república ou monarquia, de ele ser presidenciali...