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domingo, 5 de agosto de 2012

Esopo e a língua (Texto de Autor Desconhecido)


Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.

Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.

- Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando?
Como podes afirmar tal coisa?

- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho.

Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.

- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo.

- A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?

- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.

- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.

Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua.
Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:

- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem -se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo?

- Indagou Esopo. Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.

Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Livro que induz os alunos ao erro é distribuído pelo MEC.



O livro Por uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender, adotado pelo MEC, trouxe à baila uma antiga polêmica. De um lado, estão os catedráticos da língua que defendem a obra, pois, para estes, frases como “Nós pega o peixe” fazem com que os alunos das classes populares sintam-se incluídos, e com isso tenham maior facilidade em aprender a norma culta. De outro lado, estão os que criticam a dita cuja. Criticam por acreditarem que esta prática limita a ascensão social dos próprios alunos. Como se pode perceber, há uma grande discussão em torno do assunto.
O MEC está certo em adotar tal “obra didática”? Claro que não, em hipótese alguma. Um livro desses não deveria ser utilizado nas escolas brasileiras. Obviamente há o nível culto e o nível coloquial da língua. A língua agrega, em geral, uma comunidade, um povo. A fala, por sua vez, tem caráter pessoal, modifica-se de acordo com sua história pessoal, suas intenções e sua maior ou menor aquisição de conhecimentos. Os dois grandes níveis de fala, o coloquial e o culto, são determinados pela cultura e formação escolar dos falantes, pelo grupo social a que eles pertencem e pela situação concreta em que a língua é utilizada. Um falante adota modos diferentes de falar dependendo das circunstâncias em que se encontra: conversando com amigos, expondo um tema histórico na sala de aula ou dialogando com colegas de trabalho.
O Brasil é um país que, tem milhões de analfabetos funcionais, possui um ensino público de qualidade paupérrima, tem a maioria de seus professores com qualificação insuficiente. É contraproducente a idéia de se adotar um livro com essa temática. Eu tive, nos tempos de aluno colegial, uma grande professora da língua portuguesa que dizia: Podemos cometer erros, podemos falar errado, mas, não podemos escrever errado, na escrita a norma culta tem de prevalecer. É isso aí, nas salas de aula os professores têm o dever de falar corretamente e, vou mais além, eles têm a obrigação de corrigir seus alunos sempre que percebam algum erro.
“Nós vai”, “A gente fomos” e outras frases parecidas são utilizadas pela maioria da população carente por um simples motivo: não houve acesso à educação de qualidade, A muitos cidadãos não lhes foi dado nem acesso à educação. A língua está em constante evolução, constantemente o nosso vocabulário ortográfico da língua portuguesa faz os ajustes necessários. Mas nas salas de aula deve-se primar pela perfeição, pela correção. A norma culta é a única aceitável em um livro didático.

Os políticos são o espelho da sociedade.

      O nosso problema não está no fato de o país ser unitário ou federado, de ele ser república ou monarquia, de ele ser presidenciali...