"Sou um humanista. Isso não significa ser bonzinho ou acreditar que o homem é bonzão. Significa apenas que aceito o homem como é - medroso, primário, invejoso, incapaz, acertando por acaso e errando por vaidade: meu irmão." - Millôr Fernandes
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Deu a lógica, STF libera a marcha da maconha
Muita polêmica, muita discussão sobre a marcha da maconha. Uns contra, outros a favor. Nervos à flor da pele por parte de alguns. Muita confusão entre o direito de se expressar e a liberação da droga em questão. Quanto ao uso de drogas, sou contra, claro. Entretanto, não recrimino quem as use. Mas nem todos pensam assim. Haja vista a discussão sobre o assunto.
Os cidadãos contrários à marcha da maconha argumentam que esse tipo de manifestação induz os jovens ao uso, fazendo-se assim uma clara apologia às drogas. Os defensores, por sua vez, alegam que têm todo o direito em se manifestar. Os defensores da cannabis tentaram realizar a tal marcha em várias ocasiões, mas, através do ministério público, foram barrados na justiça. Resultado, a polêmica foi levada ao STF.
É bom que fique bem claro, não confundir a marcha da maconha com a liberação do consumo de drogas. Nada a ver uma coisa com a outra. No início do julgamento o relator do processo deixou isso nítido para todos. O STF julgaria o verdadeiro significado dessa marcha, julgaria a liberdade de expressão, julgaria se estava havendo o cerceamento de liberdades. Foi o que realmente fez. Em decisão unânime, nossos nobres ministros liberaram as manifestações em prol da cannabis. Decisão lógica e perfeita, não se está legalizando as drogas. Pelo contrário elas continuam ilegais, proibidas. Ao postar-se a favor de manifestações como esta, o STF preserva a constituição brasileira, garante a todos os cidadãos o sagrado direito externar seus pensamentos. Com posições técnicas como esta, o STF dá um basta às tentativas de censura, às investidas contra as liberdades individuais.
Num país que se julga democrático todos os setores da sociedade podem e devem manifestar-se. E não alimentemos a ilusão de que o país está sendo governado em favor das minorias em detrimento das maiorias. É preservando os direitos das minorias que se garante direitos universais, pois não são todos os cidadãos que têm a coragem de lutar por seus direitos. Os que são contra a maconha, pois, então, façam a marcha contra a maconha. É dessa maneira que um estado democrático avança. AS leis não são alteradas com manifestações, mas, sim, com discussões, com debates acalorados e conscientes, com debates em que todos expõem suas opiniões. O que for o melhor para a sociedade tem de prevalecer, e as liberdades individuais são o melhor para um povo... Respeitemos uns aos outros... Respeitemos o que o outro pensa, mesmo que não concordemos com seus pensamentos...
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Marcha da maconha: Apologia às drogas ou um direito à liberdade de expressão?
Aproximadamente mil manifestantes, segundo organizadores do “evento”, participaram, no sábado 21 de maio, da passeata pela “Liberdade de Expressão” – essa substituía a Marcha da Maconha que fora proibida através de uma liminar. Parece que fora feito um acordo antes em que não se podia de forma alguma fazer apologia ao uso do entorpecente. Mas como pudemos notar nos noticiários, o acordo não foi cumprido, e nem haveria como cumpri-lo. Não há como controlar um aglomerado de pessoas, sempre haverá quem fuja do controle, como fatalmente acabou ocorrendo.
Com muitos cartazes questionando o cerceamento de liberdade de expressão e individual, outros tantos mencionavam a cannabis sativa deliberadamente. Palavras de ordem contra a Polícia, e pedindo a liberação da erva, foram entoadas aos montes. Até aí tudo bem, jovens se excedem quando participam de manifestações, mas a Polícia não se podia exceder da maneira como se excedeu. A força utilizada pelos policiais foi extrema, não havia a necessidade de tamanha agressividade, pois o protesto era pacífico e não apresentava perigo à sociedade. Ao analisar as cenas acredito que faltou preparo para a situação, lamentavelmente nossos policias não estão devidamente preparados. Pensei que policiais despreparados fosse coisa do passado: Greve de professores na década de 1980, Carandiru, Eldorado de Carajás etc. - Mas o alarmante é que pagamos um dos mais altos impostos do mundo e não dispomos, ao menos, de uma corporação militar que atenda plenamente aos anseios do povo.
Os manifestantes erraram? Sim, erraram. Os líderes cometeram um erro em seguir com a manifestação mesmo sabendo que não se devia mencionar a cannabis sativa. A Polícia errou? Demais da conta. Faltou habilidade para os militares. A justiça errou? Há de se analisar a questão. Tecnicamente, de jeito nenhum, pois, a lei é clara e taxativa, não é permitido fazer apologia às drogas. Agora, uma lei não deveria cercear a liberdade dos cidadãos. Eu defendi, aqui neste blog, o direito que o deputado federal Jair Bolsonaro tem em defender suas opiniões, o direito de externar o que realmente pensa. Eu não poderia negar às pessoas que defendem a liberação do uso da maconha o sagrado direito de manifestar-se. Numa democracia plena, absoluta, todos os cidadãos têm de ter todos os seus direitos garantidos. Não sou chegado a vícios, o máximo de excessos que cometo é quando tomo um cálice de vinho acompanhando uma boa porção de lasanha. Entretanto,o povo tem de se expressar, a apologia é apenas uma desculpa, digam-me, então, o que não é apologia neste país?
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