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domingo, 5 de dezembro de 2010

O “Palhaço” Tiririca chegou lá!



Nesta última eleição houve um caso que nos chamou a atenção. A eleição de Tiririca. Sim, ele mesmo, o comediante nordestino que ficou famoso no sul do Brasil com um estrondoso sucesso, Florentina. Tiririca, nome artístico de Francisco Everardo Oliveira Silva, nascido em Itapipoca em 1º de maio de 1965. Além de comediante este rapaz é “compositor e cantor”. Com trejeitos que lhe são peculiares, ele faz um enorme sucesso em todo o país. Com 1.348.295 votos, Tiririca foi o segundo deputado mais votado em toda a história do estado de São Paulo.

“O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”. Engraçado? Tem mais. “Pior do que tá não fica, vote em Tiririca”. Com bordões como estes nosso artista popular chegou lá! É claro que além de Tiririca havia mais personalidades de peso nas listinhas dos políticos pendurados com o povão, mas quem aceitou foi ele, Tiririca. Um homem atraindo uma enormidade de votos dessa, ele leva de arrasto pelo menos uns quatro cidadãos na sua aba. Foi o que aconteceu, cidadãos sujos que não conseguiriam se reeleger. Eles voltarão a Brasília, graças a nossa forma de eleição, graças as nossas regras eleitorais.

O coitado enfrentou perseguição por parte do ministério público. Primeiro, pela maneira irônica e sarcástica na qual ele conduziu a sua campanha. Depois foi a sua condição de semi-analfabeto. Em ambos os casos, a alegação era de que o agora “nobre cidadão” não preenchia os requisitos exigidos para sentar-se numa cadeira de deputado federal. Será?

Num estado democrático de direito todo cidadão pode concorrer a uma vaga seja para o legislativo ou executivo. Que fique bem clara a minha afirmação. Repito: Num estado democrático de direito... Mas apesar de a nossa constituição ser uma das melhores do mundo, no episódio Tiririca fica evidente, que nós ainda não alcançamos a maturidade democrática.

Pela lógica democrática, todos os cidadãos partilham dos mesmos direitos. Antigamente com as democracias ainda incipientes havia distorções absurdas como: Votos proibidos para mulheres, negros e analfabetos. – Mas os tempos são outros e é chegado o momento de o Brasil mostrar ao mundo que é uma República Democrática de fato e não apenas nas palavras.

A Itália nos deu um belo exemplo, elegendo Cicciolina para o parlamento italiano. Todos nós sabemos a profissão da senhora em questão. As mais diversas classes sociais podem e devem ser representadas em todas as esferas do poder. Claro que a representatividade se faz pertinente no parlamento ou congresso. No judiciário é fora de propósito utilizar as mesmas regras uma vez que ali é exigido do candidato, notório saber jurídico.

Promotores e juízes, fiquem tranqüilos, pois, do gabinete do ilustre deputado Tiririca não sairá nenhum absurdo, nenhuma lei incompreensível, já que todos os “ilustrados senhores” do congresso nacional têm ao seu dispor assessores competentes para redigirem seus discursos e suas leis. Este não é o problema. Enquanto houver voto proporcional no Brasil, os políticos se utilizarão de meios não muito convencionais para se perpetuarem no poder. A necessidade de uma reforma política é urgente. O Brasil precisa, o povo precisa. Portanto, deixem o rapaz em paz. Veremos o que ele tem para nos mostrar. Desprendam-se de seus preconceitos. Brindemos todos nós! Um brinde à democracia brasileira!

Os políticos são o espelho da sociedade.

      O nosso problema não está no fato de o país ser unitário ou federado, de ele ser república ou monarquia, de ele ser presidenciali...